sábado, novembro 15, 2008

Um interessante artigo da minha colega Filomena Embaló


Friday, November 14, 2008
A «ILEGITIMIDADE» DA IDENTIDADE NACIONAL


Filomena Embaló

fembalo@gmail.com

08.11.2008

A eleição de Barack Obama à magistratura suprema dos Estados Unidos da América constitui um acontecimento sem precedentes na história deste país. O sonho de Martin Luther King começa finalmente a tornar-se realidade: o sonho de negros e brancos estadunidenses viverem harmoniosamente e serem iguais.
Barack Obama, filho de um imigrante queniano e de uma norte-americana branca, mestiço ou "bi-racial" como se diz localmente, "afro-americano", "negro", foi escolhido pelos eleitores do seu país para, durante os próximos quatro anos, dirigir os destinos da Nação e representá-la no mundo inteiro. Foi uma vitória pessoal, mas também a de toda a comunidade "afro-americana" que durante mais de dois séculos vem lutando pela igualdade de direitos e contra a discriminação.
O continente africano jubilou também com este plebiscito, pois um "filho de África" estará ao leme da primeira potência mundial, glorificando assim o continente e os povos africanos. Com ele espera-se um outro olhar e uma nova sensibilidade da Casa Branca em relação à África.
Apesar da sua origem africana, Obama é acima de tudo um cidadão dos Estados Unidos, Foi lá que ele nasceu e viveu. A sua nacionalidade é a norte-americana. A sua cultura é a cultura norte-americana, com a qual se identifica. Ele partilha com todos os estadunidenses os mesmos valores, a mesma identidade nacional, o mesmo "sentir norte-americano", a mesma língua, o mesmo solo, a mesma História e a mesma bandeira. E tudo isso faz dele um cidadão de pleno direito que hoje o elevou à mais alta magistratura da Nação.
E, como disse, a África está orgulhosa deste "filho" e muitas foram as individualidades africanas que nas antenas das rádios internacionais disseram que os Estados Unidos mostraram que ainda podem dar lições ao mundo e em particular à "velha" Europa. E eu acrescentaria: e sobretudo à Mãe África, estripada pela violência da intolerância!
Pois, pergunto-me, se Obama tivesse nascido num país africano, de mãe originária desse país e de pai imigrante (ou vice-versa), em quantos países ele seria elegível à presidência da República? A lista não deve ser muito longa...
Na Guiné-Bissau, infelizmente, ele não teria esse privilégio, uma vez que o Artigo 63°-2 da Constituição diz serem "elegíveis para o cargo de Presidente da República os cidadãos eleitores guineenses de origem, filhos de pais guineenses de origem, maiores de 35 anos de idade, no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos", com a ambiguidade de não se saber o que se entende por "guineense de origem", ou a partir de que geração se é considerado ser "guineense de origem"... O maior paradoxo disto é o facto destes critérios excluírem o próprio Fundador da nacionalidade guineense, Amilcar Cabral.
Quantos "obamas "guineenses existem na Guiné-Bissau? Quantos guineenses nascidos de um genitor guineense e de outro estrangeiro que viveram sempre na Guiné-Bissau, sem nunca ter tido outra nacionalidade que não a guineense e sem qualquer contacto com o país de origem do genitor estrangeiro, estão interditados de se candidatarem às eleições presidenciais?
Serão eles menos guineenses do que os que têm ambos os pais de "origem guineense"? Não partilham eles com os seus compatriotas os mesmos valores, a mesma identidade nacional, o mesmo "sentir guineense", a mesma língua nacional, o mesmo solo, a mesma História e a mesma bandeira, tal como Obama com os seus compatriotas? Será a identidade nacional guineense uma noção vazia que não dá qualquer legitimidade ao cidadão?
Por quê esta discriminação, quando o Artigo 24° da Constituição da República diz que "Todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres, sem distinção de raça, sexo, nível social, intelectual ou cultural, crença religiosa ou convicção filosófica"? As disposições do Artigo 36°-2 não serão uma discriminação racial? Não estaremos perante uma contradição entre as disposições destes dois artigos da Lei Fundamental?
A Guiné-Bissau, como país colonizado que foi e como terra de acolhimento que tem sido, terá que aprender a assumir a integralidade da sua história, bem como a população que hoje tem, fruto dessa história.
Esperamos que a eleição do Presidente Obama, para além de trazer as tão esperadas estabilidade e paz no mundo, constitua, em particular para o continente africano, um exemplo de tolerância, em que cidadãos com as mais diversas origens escolheram um presidente não pela cor da sua pele ou pelas suas origens, mas pelas ideias e valores que defende.
E se nós, africanos, também tivéssemos um sonho?... Não é o sonho que comanda a vida? Tudo depende do nosso querer, pois, querendo, we can!
Publicado em: Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO

Gustavo Costa /"O PRIMEIRO MINISTRO E A FRAUDE EMPRESARIAL PÚBLICA.


Não resisto a transcrever aqui um texto publicado no NOVO JORNAL de hoje, assinado pelo seu Director-Adjunto, GUSTAVO COSTA, e subordinado ao título "O PRIMEIRO MINISTRO E A FRAUDE EMPRESARIAL PÚBLICA.

Quando, aqui há umas semanas, questioneia «obesidade governamental», inquietavam-
me também algumas «traquinices» daqueles que se auto-intitulando de
gestores» de empresas públicas estão a tiraro sono tanto a economistas sérios, como
a contribuintes igualmente sérios.
Depois de ter anunciado o saneamento das empresas públicas, o que o Primeiro-Ministro,Paulo Kassoma, terá agora de enfrentar, nãosão apenas essas «traquinices», mas a difícilcaminhada que será necessário empreender para as sanear, de alto a baixo, devolver-lhessaúde financeira, insuflar-lhes capacidade degestão, prepará-las para a concorrência, num mercado cada vez mais «feroz», e restituir-lhesdignidade moral e empresarial.
O Primeiro-Ministro terá também que promovera descentralização empresarial para
criar pólos de desenvolvimento fora de Luanda e da restante orla marítima. Trata-se deuma «cesariana» que pode vir a traumatizar os progenitores de «crianças», que tendo sido momentaneamente «dopadas», encarnarama força de «elefantes brancos» que, afinal,têm pés de barro e cabeça de tolos. E, de quem é, em parte, a esponsabilidade por essedesvario?
Desde logo, do Estado por se ter imposto nopassado, de forma paternalista e demagógica,como o principal «guarda-chuva» de admissõese promoções populistas. Logo, esse mesmo Estado vai ter de assumir agora o despedimento de mão-de-obra excedentária e,na maior parte dos casos, desqualificada, que custa aos seus cofres todos os meses milhões de dólares.
Esse é um desafio inadiável e esperemos que não adormeça à cesta na retórica. Mais do
que recomendável, é imperativo que a «purga» se estenda, sem excepção, a todas as empresas públicas e não apenas à TAAG. Essa é,de resto, uma condição essencial para dar o pontapé de saída à moralização de um dos pilares da nossa economia: as empresas.
Mas, sanear o pessoal excedentário dalguns desses «monstros» não é o único desafio quese coloca aos novos governantes, que agora astêm sob a sua tutela. Mais do que isso, será necessário introduzir uma nova e moderna culturade gestão empresarial. Porquê? Porque há gente, há mais de vinte anos, à frente de empresasque não sabe sequer lavrar um ofício.
Há «gestores-economistas» que argumentamque a «raíz quadrada» nem sempre dácerto! Há ainda empresas que têm, proporcionalmente,tantos trabalhadores quantos «chefes». Há gente, nestas circunstâncias,que não prestando contas ao Estado,também não sabe como fazê-lo, porque nem sequer sabe calcular a taxa de juros de empréstimoscontraídos pelas empresas que é suposto gerirem. Custa acreditar, mas a verdade é que «gestores» deste descalabro,sentem-se confortavelmente acomodados…Essa «fraude» nem sequer precisa de ser descodificada.
Os poros dos seus autores, desprovidos,na maior parte dos casos, da maiselementar noção de gestão, destilam má relaçãocom o dinheiro, «ódio» pelas normas administrativas, esbanjamento de recursos e uma crónica incapacidade governativa. As
empresas adormeceram à espera de decisõespolíticas, que nunca chegaram ao destino.
Vítimas de abusos de poder, a única coisacerta nelas é que, afinal, tudo ou quase tudo,estava errado! Resultado: mal educadase, pior, habituadas ao proteccionismo do Estado,a deriva na maior parte delas é total!
Quem a provocou, como «gestor» público,não pode agora ser desculpado, mesmo porque,
depois de ter endossado «cheques em branco» aos contribuintes, as desculpas não
se pedem, antes evitam-se!
Agora, só há um caminho a seguir: que Deus nos livre rapidamente desses pseudo-gestores!
Eles que sejam substituídos por gentecompetente, gente que saiba perseguir a
competitividade, a dignificação profissionale o lucro como o «soro» que há-de alimentaras veias da economia de Angola, fora da orlado petróleo e dos diamantes.
O Estado tem de os substituir porque nessas empresas tiveram a «gentileza» de fazer
da capitulação profissional e do vazio ético,dois dos símbolos da decadência do seu «modelo» de gestão.
O que estas engravatadas criaturas demonstram saber fazer bem é ostentar fatos Armani,BMW X6, relógio «Rolex», cabelo cheio degel e forjar «viagens em serviço» ao exterior do país com fins turísticos…
Alguns deles, de mediocridade pavorosa, como diria Baptista Bastos, um dos maiores
cronistas portugueses, não dão conta sequer de que, mais do que sofríveis, são doentiamente insignificantes! Não estão preocupados com a gestão empresarial mas apenas obcecados com o poder empresarial. Pensam que só sabem mandar. Acontece que, desgraçadamente,não sabem fazer nem uma coisa, nem outra!Não sabem mandar e, pior do que isso, muito menos pensar. E o que o país mais precisa,neste momento, é de gente que saiba pensar e gerir. Gente que saiba formular uma nova ideia de administração empresarial pública,com o concurso de jovens tecnocratas, ávidos por libertar novas competências e modernas técnicas de gestão ou mesmo com recurso a gestores expatriados.
Gente que saiba levar as empresas públicas a ganhar músculo e a perder gordura. Porque o que a experiência comprova hoje, é que, na maior parte delas – e a crítica aqui não deve ser confundida como uma defesa da sua privatização - já só resta a poeira de um império esquelético.
Agora há que projectar «fénix» para sanear primeiro e depois delinear uma nova filosofia de gestão para o sector empresarial público em Angola. Mas, sanear para quê?
Sanear para levantar o tapete, destapar aporcaria nele incrustada e sepultar «mitos».
Sanear para quê? Sanear para pôr ordem namaioria das empresas públicas, que estão
transformadas em autênticas agências «funerárias» de emprego.
Sanear para quê? Sanear para enterrar «cadáveres» que exalam um cheiro pestilento
sobre um modelo de gestão miserável.
Sanear para quê? Sanear para «sepultar»também clientelas que se alimentam do tráfico
de influência e da corrupção.
Sanear para quê? Sanear para não sermos contaminados pelo vírus de pseudo-gestores
que só sabem exibir incompetência, promover o nepotismo e, pasme-se!, auto-elogiar,
em praça pública, a sua irresponsabilidade empresarial, expondo, sem quaisquer pudores,em museus de maus costumes, a arte do…desperdício, do roubo e da imoralidade…presarial pública…

terça-feira, novembro 11, 2008

Um texto do Manuel Rui que "gamei" por aí...


OBAMA E UM ACTO DE CULTURA UNIVERSAL


Manuel Rui Monteiro


poeta angolano

Eu sempre me confundi na realidade com a utopia. Ou na insatisfação constante como forma quase de fingir felicidade na busca, na procura e imitação de coisas muito simples como o voar dos pássaros, o declinar do sol, o brilho das estrelas e o mistério das conchas que aconteciam com os meus pés à beira mar na areia. Sempre não me conseguindo encontrar com o paraíso do infinitamente bom e infinitamente belo para todos, quase desinfinitando a morte que é o único lugar infinito mas parte da vida, o infinitamente belo que até poderia ser um contraste com o infinitamente bom que sempre para mim ficaram sem ser, iguais à inexistência ou à infelicidade de não procurar mais nada, muito antes da nostalgia ou depois da saudade da morte.
Afinal viver é também não imaginar aquilo que pode acontecer enquanto estamos vivos. Só que eu nunca pensei que em vida, para além de tanta coisa que estava, ainda que muito longe, mas no horizonte por detrás da noite e da nuvem, pudesse ainda ter vivido sonhos, porque a minha geração viveu sonhos depois de os ter sonhado no passa-palavra de muitos silêncios. E também viveu a morte de muita alegria triste.
Mas agora era demais. Numa data e hora em que um grande amigo meu fazia anos. Quatro de Novembro. Eu a telefonar-lhe e ele quase ou mesmo esquecido do seu aniversário por causa de OBAMA.
Era algo que nos tocava e falámos ao telefone. Porque era uma coisa que estava impensada no nosso tempo. A utopia tinha ultrapassado a nossa imaginação. Já não era tanto uma eleição ou uma vitória. Fazia semanas que vivíamos a novidade. Principalmente porque OBAMA falara mais ou menos que se mudarmos a sala podemos mudar a casa; e se mudarmos a casa podemos mudar a rua; e se mudarmos a rua podemos mudar a cidade; e se mudarmos a cidade podemos mudar o estado; e se mudarmos o estado podemos mudar o País; e se mudarmos o País podemos mudar o mundo. OBAMA, em gesto de sagrado, no discurso de Filadélfia, tirou o pé do tiro do reverendo Jeremiah Wright. Embora o reverendo tivesse razão mas era uma razão da memória e da injustiça. Uma razão sobre os que haviam sido negados como pessoas, deixando suor e sangue nas plantações de tabaco e açúcar. Uma razão que podia ser entendida como rancor.
Nesse discurso, OBAMA trouxe uma utopia ligando a jovem Ashley e um mais velho que estava ali por Ashley estar.
No dia e hora em que escrevo este texto ainda não sei se OBAMA ganhou. Mas não é tanto por isso que estou a escrever. É mais por causa do outro que nunca percebeu que eu existo e ele só pode ser também se deixar de estar assim para podermos ser todos.
OBAMA tem um significado do maior acto de cultura universal do início deste século. No século passado, quem tinha televisão ficou uma noite inteira à espera que um homem pisasse a lua.
Neste princípio de século, OBAMA conseguiu criar uma energia, um astral de muitas mãos inteiras pelo pensamento de pessoas de todas as partes do mundo, numa corrente parecida com uma constelação de paz sem fronteiras. E Isso é um acto de cultura que vai ficar.
Não importa que este Messias traga milagres. Importa é o milagre cultural de pôr uma boa parte do mundo inteiro a olhar para ele como um salvador e perder uma noite só a olhar para um televisor como se OBAMA fosse uma madrugada.
No século passado, foram à lua. Agora OBAMA parece que desceu da lua e chegou à terra.
No século passado foi Mandela.
Mas antes de Mandela, o reverendo Luter King já tinha orado que tinha um sonho. O reverendo foi assassinado por causa do sonho.
Mandela tornou realidade um bocado do sonho do reverendo. Por cima de tanta memória que sobrou para os blues.
OBAMA acrescenta mais um bocado de realidade ao sonho do reverendo.
Como Agostinho Neto deixou escrito:
E DO DRAMA INTENSO


DUMA VIDA IMENSA E ÚTIL


RESULTOU CERTEZA
AS MINHAS MÃOS COLOCARAM PEDRAS


NOS ALICERCES DO MUNDO


MEREÇO O MEU PEDAÇO DE PÃO.
manuel rui

sábado, novembro 08, 2008

Martin Luther King



"Hoje, na noite do mundo e na esperança da Boa Nova, eu afirmo com audácia minha fé no futuro da humanidade. Recuso crer que as circunstâncias actuais tornem os homens incapazes de fazer uma terra melhor. Recuso crer que o ser humano não seja mais do que um boneco de palha agitado pela corrente da vida, sem ter a possibilidade de influir minimamente no curso dos acontecimentos. Recuso-me a partilhar a opinião dos que pretendem que o homem está de tal maneira prisioneiro da noite sem estrelas, da guerra e do racismo, que a aurora luminosa da paz e da fraternidade não possa nunca tornar-se realidade. Recuso fazer minha a predição cínica daqueles que dizem que os povos mergulharão, um após outro, no turbilhão do militarismo, até o inferno da destruição termonuclear. Eu creio que a verdade e o amor incondicionais terão efectivamente a última palavra. A vida, ainda que provisoriamente derrotada, é sempre mais forte que a morte. Eu creio firmemente que, mesmo no meio das bombas que explodem e dos canhões que troam, permanece a esperança de um amanhã radioso. Ouso crer que, um dia, todos os habitantes da terra poderão receber três refeições por dia para a vida de seu corpo, a educação e a cultura para a saúde de seu espírito, a igualdade e a liberdade para a vida de seus corações. Creio, igualmente, que um dia toda a humanidade reconhecerá em Deus a fonte do seu amor. Creio que a bondade salvadora e pacífica um dia será lei. O lobo e o cordeiro poderão repousar juntos, todo homem poderá sentar-se sob a sua figueira, na sua vinha e ninguém terá motivo para ter medo. Creio firmemente que triunfaremos." (Martin Luther King)

segunda-feira, outubro 27, 2008

Faltava aqui uma fotocópia do Pacheco Pereira na lusofonia!

Na minha biblioteca, que nem sequer é particularmente valiosa, há muitíssimo mais títulos do que em todas as livravrias angolanas juntas"- José Eduardo Agualusa
Angolense (original)

quinta-feira, setembro 11, 2008

Pela boca morre o peixe!





Angola/Eleições: Resultados são "assustadores para a democracia", diz José Eduardo Agualusa
10 de Setembro de 2008, 16:31

Lisboa, 10 Set (Lusa) - O jornalista e escritor angolano José Eduardo Agualusa defendeu hoje que os resultados das eleições legislativas de sexta-feira em Angola são "assustadores para a democracia", com o espectro de um "pensamento político único" nos próximos anos.

Em declarações por telefone à Agência Lusa, Agualusa considerou que os resultados, apontando para uma vitória do MPLA com mais de 80 por cento, representam "um regresso ao partido único", com a desvantagem de, agora, ser legitimado pelo voto.

"Os resultados são assustadores e preocupantes. É um regresso ao partido único, só que através do voto. Não há democracia sem oposição. Não há correntes de pensamento no Parlamento, por excelência, a casa da discussão democrática", sublinhou Agualusa desde Bruxelas, onde participa, quinta-feira de manhã, num evento promovido pelo Parlamento Europeu.

Sobre esta questão, o porta voz do MPLA recusou hoje a possibilidade de a esmagadora vitória alcançada nas eleições legislativas de sexta-feira poder levar a um sistema virtual de partido único em Angola.

Respondendo aos jornalistas depois da declaração de vitória nas legislativas, o porta voz do MPLA, Norberto dos Santos "Kawata Kanawa", fez a comparação com a Europa, "onde as vitórias alargadas não conduzem a regressos dos partidos únicos", garantindo que "em Angola também será assim".

José Eduardo Agualusa, mostrando-se também "extremamente preocupado" com a pressa do reconhecimento da validade dos resultados, comparou, sem os pôr em causa, com uma eventual situação idêntica registada em Portugal ou noutro qualquer país europeu.

"Não acredito que ninguém ficasse preocupado. Os comentadores e jornalistas debateriam tudo até à exaustão. Só que é Angola... O resultado das eleições é um revés para a democracia e um pouco assustador. A grandeza da democracia está na diversidade de opinião e não na pobreza de pensamento", sustentou, aludindo ao facto de o futuro Parlamento angolano perder várias forças políticas.

Nesse sentido, Agualusa não deu qualquer importância ao facto de as principais forças da oposição ao MPLA não se terem unido em torno de um só objectivo, derrubar o partido no poder desde a independência, em 1975, defendendo que cada partido "tem a sua visão política".

"A oposição não tinha de se juntar, uma vez que cada partido tem a sua visão. Não concordo com essa ideia" de unificação da oposição para combater o poder do MPLA, explicou o jornalista e escritor angolano, lembrando que o Parlamento saído das eleições de 1992, as primeiras, era mais equilibrado.

De acordo com os últimos resultados, ainda provisórios, o MPLA tem mais de 80 por cento dos votos, enquanto a UNITA, principal partido da oposição, aparece em segundo lugar mas apenas com pouco mais de dez por cento dos votos.

sábado, agosto 16, 2008

A um poeta menor

1361 - A un Poeta Menor de 1899



Dejar un verso para la hora triste
que en el confin del día nos acecha,
ligar tu nombre a su doliente fecha
de oro y de vaga sombra. Eso quisiste.
!Con qué pasión, al declinar el día,
trabajarías el extraño verso
que, hasta la dispersión del universo,
la hora de extraño azul confirmaría!
No sé si lo lograste ni siquiera,
vago hermano mayor, si has existido,
pero estoy solo y quiero que el olvido
restituya a los días tu ligera
sombra para este ya cansado alarde
de unas palabras en que esté la tarde.

(Jorge Luis Borges)

domingo, julho 27, 2008

Maysa no Dundo





Esta foto foi tirada no Dundo, na Casa do Pessoal. O Dundo era a capital administrativa da Companhia de Diamantes de Angola, no leste de Angola.

Periodicamente, iam lá actuar as estrelas do momento. Esta foto será do início da década de 60.

O Rueda já tinha saído do Thilo's Combo, não sei, não conheço os outros músicos. A cantora é a Maysa Mataraso, que, como deves saber, era um must na época. Cantava coisas do tipo "A Noite de Meu Bem"... da Dolores Duran, por aí fora.

Cortesia de ViCky em :
http://guedelhudos.blogspot.com/

segunda-feira, julho 21, 2008

A verdadeira Grande Marcha



Não há nada de maoismo nesta marcha...
Hoje já são os netos destes valorosos portistas que são tão campeões como os seu antepassados eram...
Só tenho a dizer
Ontem como Hoje Amanhã seremos campeões!

sexta-feira, julho 18, 2008

Guerra Civil de Espanha


Bom site de fotos da guerra civil de Espanha!

quarta-feira, julho 09, 2008

Joaquim Namorado, um amigo que recordo com saudade!

Recordando as palavras de Joaquim Namorado. Tão vivas e necessárias como nos anos quarenta...

Já não há mordaças, nem ameaças, nem algemas,
que possam perturbar a nossa caminhada,
em que os poetas são os próprios versos dos poemas
e onde cada poema é uma bandeira desfraldada.

Ninguém fala em parar ou regressar
Ninguém teme as mordaças ou algemas
-- o braço que bater há-de cansar
e os Poetas são os próprios versos dos poemas.

Versos brandos... Ninguém mos peça agora.
-- Eu já não me pertenço: sou da Hora.
E não há mordaças, nem ameaças, nem algemas,

que possam perturbar a nossa caminhada
onde cada poema é uma bandeira desfraldada
e os poetas são os próprios versos dos poemas.

(Sidónio Muralha, in Passagem de Nível, Coimbra, «Novo Cancioneiro», 1942, pp.22-23)

sexta-feira, julho 04, 2008

Noanda-Angola


Meu Kamba Kinito;



Já deves estar a me falar mal né? Epá sabes como é a vida aqui está a ficar apertada, e os kumbús cada vez mais coxito. Agora fui mas arranjar uma 2ª dama, uma miúda boa ali do BO e que está a dar cabo da minha cabeça, e do meu bolso (é toda hora dinheiro para pagar Universidade, Escola de Condução, e saldo para o telefone e outros mambos e quê).

Mano a nossa Luanda aqui continua na mesma, só que agora deixou de ser a cidade da Kianda passou a ser “ Noanda” a cidade que não anda! Há umas semanas atrás aqui na zona da Boavista um camião contentorizado avariou e aquilo é que foi um caos, nenhum carro passava, um autêntico engarrafamento. Naquele dia era mesmo “ Angola em Movimento”, uma autêntica maratona todo mundo a apear.



É meu mano a Engarrafobia (horror aos engarrafamentos) uma doença que já esta a tomar conta de Luanda. Longas filas de carros, estradas esburacadas, ruas fechadas tudo mal. S. Tomas que manda nos Transportes no ajuda só uê, kota HC das Obras Públicas deixa ainda um pouco de lado as obras privadas e se preocupa também com as obras públicas, deixa também de rodeios e dos Rodeos e resolve só as makas das estradas meu! Tia Xica de Luanda, você que está com a bola toda, que arrancaste com toda a força (ou é só força do inicio, ou é por causa das eleições), resolve os mambos e pelos menos nos promete: Estradas novas em Setembro.

Por causa destas porcarias dos engarrafamentos, os candengues lá do bairro já chamam o tio Zé Domingos de: “ Man Mbaia”. É porque o kota anda a cortar caminho para fugir os engarrafamentos, por as estradas principais (as chamadas primárias, pois aqui há as secundárias, terciárias e etc.) andam todas congestionadas e ele tem de estar a fugir deles e entrar pelos becos, levando-o a fazer o movimento típico dos taxistas: A Mbaia. Por isso agora nome dele virou Man Mbaia.



Então Kinito até na igreja o engarrafamento é também motivo para te sacar kumbú. Então no outro dia o pastor de uma igreja de nome Universal – Única e Verdadeira Salvação, ou também Unidos Vamos te Enganar e Roubar o teu Salário. Começou já o culto assim (É então angolano mas está a falar tipo é brasileiro, porque lhe disseram que o sotaque brasileiro é melhor quando se trata de enganar o povo):



- «Meu irmão, você que mora ali no Benfica, você que enfrenta engarrafamento todo o dia, você que não tem Jesus na sua vida. Hoje eu tenho uma palavra para você: Jesus vai lhe mostrar o caminho, vai lhe abrir as estradas e acabar com o engarrafamento na sua vida.

Porque esse engarrafamento meu irmão é coisa do Demónio! É o Demónio que não quer que você chegue cedo ao serviço, é o Demónio que provoca o engarrafamento para lhe atrasar a sua vida. Por isso está amarrado o engarrafamento na sua vida! Meu irmão, não pense que o engarrafamento que você enfrenta todo o dia é culpa do Governo, não! Ele é obra do Demónio. Por isso o Pastor Jonas vai impor as mãos, e vocês vão fechar os olhos e depois você vai contribuir com o seu dinheirinho para a campanha de combate ao engarrafamento».



Já viste Kinito, hoje já engarrafamento é coisa do Demónio? Não é mas culpa do Governo, das estradas esburacadas, dos taxistas e etc..? Aqui mesmo ganhar dinheiro é fácil porra pá.



Agora mudando de assunto, me perguntaste como ficou então o inquérito sobre a derrocada da DNIC? Tens razão desde o dia 29 de Março que o prédio desabou e até agora nada né? Já está quase a fazer 90 dias. Olha os candengues aqui da banda até já se anteciparam aos inspectores e apresentaram 3 propostas para o resultado dos inquéritos:



1ª Proposta (apresentada pelo dengue Netinho Kiolho) cujo resultado é: DNIC – Devíamos Necessariamente Incriminar o Cerqueira.

2ª Proposta (apresentada pelo dengue Kito Bebucho) cujo resultado é: DNIC – Dom Ngongo Ignora Cidadãos

3º Proposta (apresentada pela Minga do Tio Manuel) cujo resultado é: DNIC – Deixa o Ngongo Inventar Conversas.



Mas a proposta mesmo que ganhou todos os mambos foi a apresentada pelo Zezito Nguimbola, e que reuniu consenso quanto ao resultado final deste inquérito cujo resultados andaram no segredo dos Deuses:



DNIC – Detectamos Negligência e Incompetência Crónica.



Ainda falando nesse mambos de polícia, a dupla PIN & PUK (Já sabes quem são né?) decidiu acabar com o Pandamónio (Será que é o mesmo que Pandemónio, ou é um demónio que encarnou num Panda?) e acabaram com este “ Canal Panda” que estava a querer lhes tirar protagonismo, e que não estava a cumprir com as orientações superiormente dimanadas. Sei que a nível mundial o Panda é um animal em extinção, mas parece que por cá estava a tornar-se um “ animal em expansão”, e parece que a dupla PIN & PUK acabou com a banga e enviou mesmo um já um recado: Pandas, só na China de onde eles são originários.

O dengue Zezito Nguimbola tem uma criatividade do caraças e gosta de dar nomes as duplas que temos na Police, por exemplo: Aquele da Ordem Pública que andam um homem e uma mulher juntos, ele chama de Banda Calypso. Aquela dupla que andam nas motos ele chama de Leandro e Leonardo.



Kinito não te conto então, semanas atrás o dengue “ Pitabué” foi ameaçado pelos Dikotas Come todas, o Peneira, o Redes (para este tudo que caí na rede é peixe, ele não complica), porque o dengue tá já muito ambi, pois quer pitar já quase todos os brotos ao ponto de quase invadir a aérea de jurisdição dos Dikotas. Possas, estes miúdos de agora não sabem que antiguidade é um posto? O dengue Pitabué respondeu mbora nos Dikotas:



- Dikotas o Cabrito come onde está amarrado! Se estou amarrado aqui, é aqui que vou continuar a papar yá! Manda lixar. Como dizem os americanos: Life is short, Play hard!



Meu irmão isto agora é que são os chamados “ Casos e Acasos”, ou seja cada um com cada qual. Eu que mbora já tenho a fama mas sem proveito, estou seriamente a pensar começar a tirar proveito desta fama. Porque a variedade é muita, embora que sobre a qualidade não podemos dizer a mesma coisa.



É que elas encontram-se distribuídas por grupos, e nas empresas por cá tu encontras os seguintes grupos:



As Shakiras: São as damas boas do pedaço, são as boazudas. São calculistas, gostam de gingar, usam roupas curtas e justas, só usam fio dental ou asa delta e na maior parte dos casos têm tatuagem. Quando andam parece a Shakira a dançar, e no seu olhar denota-se implícita a expressão: Eat me! O seu alvo preferencial é a chefia, os cabolas não lhes interessam. Mas não são mulheres muito inteligentes, são imediatistas e gostam do lucro fácil.
2. As Baixo Nível (também conhecidas por “ Me leva que eu vou”): Estas são as mais fáceis, estão sempre disponíveis. Basta só um saldo de 10, ou então uma sessão de cinema no Belas, ou ainda um lanche no Jango, as vezes umas birras e hambúrguer na roloute da tia Fefa resolve o problema. A maka destas é que são muito “ disponíveis” e qualquer muadié lhes leva, e se um gajo do meu nível e calibre faz um Move (um movimento, um arrasto), ela vai já espalhar para todo mundo e depois “ borra a postura”dum gajo.



3. As Titanics: Estas estão encalhadas. A situação para estas jovens está critica, o seu slogan è: “ Haja homem! “. Esta situação muitas vezes é causada pelo facto de serem muito selectiva na escolha dos parceiros, isto faz com que afugentem os supostos candidatos. São por norma muito pouco sociáveis.



As “ Colega não apanha nada” : Estas são aquelas são na maior parte damas belas e inteligentes, e com elas é só trabalho e para além do trabalho … só trabalho mesmo. São simpáticas, prestativas mas deixam longo bem patente que não misturam dever com prazer. Com estas você se contenta só já com a amizade e camaradagem, pois se te armares em esperto vão te dar um não bem grande.


As Ngaxi wa Kudiwa (ou Galinhas Velhas): Aqui a chaparia está bala mas o motor está a babar óleo, a montra é muito bonita mas o armazém esta todo malaique. São mesmo galinhas velhas e só servem mesmo para fazer canja, ou seja para pitar quando um gajo está mal. São jovens já muito rodadas, com muitos quilómetros de estrada. Nestas estou fora meu mano.


Tens razão Kinito, por isso é que falam mal. Mas já vi que falar mal não mata ninguém, porque se assim fosse nós por cá já estaríamos mortos porque aqui: todo o mundo fala mal de todo o mundo. Somos uns autênticos Mutantes pois à frente falamos bem uns dos outros, mas por trás se falamos mal, no salú se falamos bem mas na rua se falamos mal.

Nós somos uma raça lixada, que ficamos só a falar mal dos outros, tipo:



- «Essa namora com aquele»

- «Vestido daquela é assim, sapato do outro é assado»

- «Porque essa veste roupa emprestada»

- «Aquele é um mulherengo e bêbado sujo»

- «Essa daí namora com marido alheio»

- «Este então dinheiro dele é de feitiço»

- «Este manda muita boca aqui, mas quem mete dinheiro em casa é a mulher»



Kinito, eu admiro esta malta pá que se junta mesmo para falar mal dos outros quando até na Universidade não estão a lhe deixar fazer provas porque tem propinas em atraso; Em casa não deixou matabicho para os candengues mas aqui está preocupado com o outro que está a viajar; O carro que está há 3 meses no mecânico, e ele até agora não consegue pagar a reparação mas chega aqui está preocupado com o fio de ouro que a colega colocou, se é verdadeiro ou falso; Na casa dele até luz cortaram por falta de pagamento, mas ela está mbora preocupado com o carro novo da colega??? Saber quem lhe deu dinheiro, onde foi buscar a massa.

Vida dele (a) então está lixada: as dívidas não paga, sustento nos filhos não está a garantir, cartão da Parabólica já acabou há bué, nem massa para pôr combustível no carro tem??? Mas está mbora preocupado (a) com a vida alheia? Angolano deixa disso, isso não é vida. Assim não vamos para a frente, deixar os outros bumbar.



É que esta praga de fofoqueiros (e fofoqueiros) andam a infestar as empresas pá, e vou te dizer como eles são chamados:



Fofotal – É o fofoqueiro (a) da TOTAL.
Fofesso – É o fofoqueiro (a) da ESSO
Fofangol – É a fofoqueira da Sonangol.
Fofopina – É o fofoqueiro (a) da Panalpina.
Zongalamento – Actividade praticada pelos zongolas do Banco de Fomento.
Fofodiam- É o fofoqueiro (a) da Endiama.
Tri fofo – Até parece a estória dos três porquinhos? Mas é o fofoqueira (a) das três AAA, e normalmente andam em grupos de três.


Kinito isto é outra Maka Mais….



Kinito então na segunda-feira passada houve tolerância de ponto por causa do jogo com o Uganda (mesmo com o apoio popular empatamos). Estas tolerâncias de ponto que ao nível da imagem do pais só nos tiram pontos, pois o país precisa mazé de trabalho. Mas o importante é que estas tolerâncias de ponto intoleráveis tragam votos, pois é necessário que as massas compareçam em massa, e sem levar massa porque o acesso ao estádio é livre.



É que depois criam-se nos locais de trabalho um suspense tal, uma ansiedade incontida para ouvir pela rádio o “ Douto Despacho” do GPL, e quando saí aquilo é um corre-corre, um autêntico banzé que até parece as corridas de atletismo em que todo o mundo está na linha de partida a espera do tiro de largada. Meu irmão, quando sai o Despacho (que curiosamente sai sempre na hora do almoço), aquilo é “ tirar o pé”, “ sair voado”. Então você sai mesmo já sem autorização da entidade patronal? Então você ninguém mais te manda? Você já é o Manda – Chuva? Então no dia seguinte vou te exigir mais 30 minutos de trabalho, se vira nos 30! Até houve um gajo na rádio que propôs, que os jogos da Selecção Nacional de Futebol passassem a ser realizados nos dias da semana, e sempre acompanhados das respectivas tolerâncias???? Mas então não se trabalha mais? Bem, mas até Setembro tudo é possível. É outra Maka Mais….



Meu Kamba Kinito desculpa ter ficado tanto tempo sem te escrever, mas é que agora tenho de escrever para ti apenas nos fins-de-semana. É que há aqui algumas pessoas (são invejosos, e malaiques), que lhes falta uma dimensão cultural e gostam de ir me queixar. Andam a ir queixar que escrevo estes mambos nas horas de trabalho??? Para quê só caluniar o outro? Se a cabeça mbora é boa, deixa só o outro escrever, pois o povo até gosta.



Manda noticias aí da Tuga, e um abraço aos meus “ povos”. Controla aquela gaja da Mariana, e lhe diz que em Agosto vamos se matar saudades.



Tchau.



Ilustre.



Luanda- Angola.

terça-feira, junho 24, 2008

Américo Tomás/Discurso directo


Américo de Deus Rodrigues Tomás (ou Thomaz) (Lisboa, 19 de Novembro de 1894 - Cascais, 18 de Setembro de 1987), político e militar português, foi o décimo quarto Presidente da República Portuguesa (último do Estado Novo).


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«É a primeira vez que estou cá desde a última vez que cá estive.»
«Hoje visitei todos os pavilhões, se não contar com os que não visitei.»
«Comemora-se em todo o país uma promulgação do despacho número Cem da Marinha Mercante Portuguesa, a que foi dado esse número não por acaso mas porque ele vem na sequência de outros noventa e nove anteriores promulgados....»
- in revista Opção, ano II, n.º30
«...É uma terra [Manteigas]bem interessante, porque estando numa cova está a mais de 700 metros de altitude...»
- in O Século, 1/6/1964
«A minha boa vontade não tem felizmente limites. Só uma coisa não poderei fazer: o impossível. E tenho verdadeiramente pena de ele não estar ao meu alcance.»
- in Diário de Notícias, 23/6/1964
«O Sr.Prof.Oliveira Salazar, ao longo de mais de trinta anos, é uma vida inteiramente sacrificada em proveito do país, e desconhecendo completamente todos os prazeres da vida, é um homem excepcional que não aparece, infelizmente, ao menos, uma vez em cada século, mas aparece raramente ao longo de todos os séculos.»
- in Seara Nova, Maio 1965
«Eu prolongo no tempo esse anseio de V.Ex.ª e permito-me dizer que o meu anseio é maior ainda. Ele consiste em que, mesmo para além da morte, nós possamos viver eternamente na terra portuguesa, porque se nós, para além da morte vivermos sempre sobre a terra portuguesa, isso significa que portugal será eterno, como eterno é o sono da morte.»
- in Diário da Manhã, 14/9/1970
«Neste almoço ouvi vários discursos, que o Governador Civil intitulou de simples brindes. Peço desculpa, mas foram autênticos discursos.»
- in Diário de Notícias, 14/9/1970
«Pedi desculpa ao Sr.Eng.º Machado Vaz por fazer essa rectificação. Mas não havia razão para o fazer porque, na realidade, o Sr. Eng.º Machado Vaz referiu-se à altura do início do funcionamento dessa barragem e eu referi-me, afinal, à data da inauguração oficial. Ambas as datas estavam certas. E eu peço, agora, desculpa de ter pedido desculpa da outra vez ao Sr.Eng.º machado Vaz.»
- in Seara Nova, Agosto 1972
- Por vezes, um censor mais inteligente riscava uma frase tola demais, o que acabava por acentuar a ironia: o mais alto magistrado da nação censurado....
- retirado do livro "Frases que fizeram a História de Portugal" por Ferreira Fernandes e João Ferreira

segunda-feira, junho 23, 2008

Comissões eleitorais em Angola há 50 anos.




Há 50 anos





Eram estes os nomes dos membros das comissões eleitorais em Angola dos candidatos às eleições à Presidência da República, em 1958:



General Humberto Delgado



Aníbal Gonçalves

Dr. António Águas da Cruz

Eng. António Garcia Castilho

António Gomes de Azevedo

José Gonçalves Farinha Leitão

Eng. José Vilhena Borrego

Dr. Mário de Lima Alves

Dr. Miguel Nepomuceno



Dr. Arlindo Vicente



Eugénio Ferreira – advogado

Amadeu Brandão – engenheiro

António Alexandre Calazans Duarte – engenheiro

César Mendes de Freitas – industrial

César de Oliveira – profissional de seguros

Francisco da Cruz Loiro – guarda-livros

João Augusto Saias – advogado

João Pereira dos Santos - profissional de seguros

Joaquim Velez Caroço – agrimensor

Manuel Malheiro Fernandes Viana – engenheiro

Maria Helena Ferrie de Oliveira - profissional de seguros

Maria Julieta Gandra – médica

Rui Vieira Costa – desenhador

Vasco de Oliveira - profissional de seguros



Almirante Américo Tomaz (União Nacional)



Dr. Frederico Bagorro de Sequeira

Dr. Gonzaga da Fonseca

Diogo da Silva

Dr. Freitas de Lemos

Abranches Pinto

José de Freitas

Eng. Cardoso de Matos